A saga de um brasileiro (e uma bicicleta) na Europa – uma curta biografia de Misael Lima

No domingo, 12/4, rolou uma sessão de despedida do piloto Misael Lima Santos, brasileiro radicado na Irlanda. Ele veio passar as férias no Brasil para visitar a família e aproveitou a oportunidade para conhecer a nossa cena. Isso porque o Misael começou a praticar o flatland depois que foi morar na Irlanda.

Ele fez um vídeo com algumas das sessões aqui no Brasil, se liga:

Além disso, o Terraplana conversou com o Misael para saber um pouco da sua história, sua vida na Irlanda e é claro: muito flatland!

Misael na marquise do Ibirapuera, na sua jam de despedida

O Misael começou a praticar BMX como quase todo mundo: dando uns pulos na rua com uma Calói Freestyle. Em 1998, viu o T.J Lavin ganhar o dirt jump no X-Games com um Tail Whip e no dia seguinte já cavou umas rampas na rua de sua casa, em Itaquatecetuba, interior de São Paulo.

Nessa época, o Misael estava “de saco cheio” e brigado com a família. Seu primo, que já morava na Irlanda, o convidou para trabalhar lá. Ele aceitou o convite e foi morar na terra do U2.

Depois de um tempo no país e alguns perrengues por não falar ingles, Misael estava conhecendo a cidade e viu um cliffhanger sendo executado em um estacionamento – isso fez com que ele tivesse vontade de andar dinovo.

Ele comprou a bike e voltou a praticar bmx, mas dessa vez começou a focar os treinos para o flatland.

Com o tempo, começou a descobrir a cena de flatland através da Internet, no Youtube e no Global-flat. “ Foi um universo se abrindo de uma forma inexplicável”, comentou.

Paralelo a isso, ele estudava inglês em casa, mas como convivia muito com os brasileiros, a bike ajudou a interagir com os irlandeses e a desenvolver seu inglês.

Depois, começou a treinar com outros dois brasileiros radicados na Irlanda, o Lucas e o Reverson. Nesse momento, o Misael já tinha informação e montou uma bike boa. Os amigos treinavam sempre juntos e puxavam o nível entre si.

Conhecendo a cena: Circle of Crow, Greenmille e Gypsy Games

Karl Cruiser no Greenmille, pico tradicional da Inglaterra

Até que, em 2008, ele resolveu ir para o Circle of Crow, na França. Assim que chegou no local de competição encontrou o Effraim Catlow, James White e Sam Foakes. “Fiquei em estado de choque”, disse Misael.

Aos poucos conversou com o pessoal da Expert, Master e Pro. A ida para o Circle Of Crow fez com que ele voltasse animado para a Irlanda e treinasse cada vez mais.

No mesmo ano, ele visitou um dos picos mais clássicos do flatland mundial: as quadras do Greenmille. Lá, ele andou com o Phil Dolan, James White, Sam Foakes, Jason Ford, entre outros. E também conheceu o Pastel, brasileiro radicado em Londres.

Nesse dia, ele ficou sabendo que o pessoal estava combinando de ir para o Gypsy Games, na Hungria. Ele aproveitou a oportunidade e se jogou para o leste europeu.

Misael em Budapeste, Hungria

O Gypsy Games é um acampamento de verão, com festas e um campeonato de flatland, organizado pela OG. “Tive a oportunidade de conhecer flatlanders de diferentes lugares da Europa, conversar e fazer amizades, principalmente com o Shane Badman (Austrália) e com o Denes Katona(Hungria), que converso até hoje pela internet”, disse Misael.

A vida na Irlanda

“È dificil. O custo de vida na Irlanda é bem alto. Trabalho nove horas por dia, seis dias por semana. Entro às 8h e saio ás 18h. Treino das 19 até as 21h e, no verão, até às 23h”, explicou Misael. Isso quando o a chuva deixa, a Irlanda é uma país frio e chove muito. “As vezes chego saio do trabalho com sol e, só no tempo de pegar a bike, chove e o chão molha”, comentou.

A volta para o Brasil

Quando soube que teria férias, Misael decidiu vir para o Brasil para visitar a família e os amigos e conhecer a cena brasileira de flatland. Ele estava planejando visitar alguns pilotos, que já mantinha contato via internet. Por coincidência, o campeonato Open Stage bateu com a sua folga. Mal chegou do aeroporto, o Misael já foi para Barueri.

Léo claro, Misael e Romulo Guerra no Flatland Open Stage

“Me senti na ‘gringa’ (risos) porque vi todos os pilotos que admirava pelos vídeos”, disse Misael. Para ele, o Brasil tem pilotos originais e o nível está muito alto.

“Sempre que me apresento, os europeus perguntam dos pilotos brasileiros”, disse. “Se a viagem fosse mais barata e a distância mais curta, haveria mais interação. Também acho que falta um pouco de comunicação entre os países”, concluiu Misael.

No fim da entrevista, com um tom de suspense, o Misael disse que “Em 2010, o Brasil vai fazer história no flatland mundial”, comentou.

O Terraplana está torcendo por isso.

Texto: Victor Sousa

Fotos: Arquivo Pessoal Misael Lima

Ibira: WIlliflat (www.flickr.com/williflat)

Vídeo: Misael Lima

Até que, em 2008, ele resolveu ir para o Circle of Crow, na França. Assim que chegou no local de competição encontrou o Effraim Catlow, James White e Sam Foakes. “Fiquei em estado de choque”, disse Misael.

Aos poucos conversou com o pessoal da Expert, Master e Pro. A ida para o Circle Of Crow fez com que ele voltasse animado para a Irlanda e treinasse cada vez mais.

No mesmo ano, ele visitou um dos picos mais clássicos do flatland mundial: as quadras do Greenmille. Lá, ele andou com o Phil Dolan, James White, Sam Foakes, Jason Ford, entre outros. E também conheceu o Pastel, brasileiro radicado em Londres.

Nesse dia, ele ficou sabendo que o pessoal estava combinando de ir para o Gypsy Games, na Hungria. Ele aproveitou a oportunidade e se jogou para o leste europeu.

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